26 March 2005

Texto escrito por Rodolfo

Ontem também foi feriado aqui em Maputo (sexta-feira santa) como no Brasil, porém, trabalhamos até a hora do almoço e ai sim fomos para casa. O engraçado é que só adere ao feriado quem segue a religião católica, ou seja, muitas lojas ficaram abertas o dia todo, mas algumas fecharam dentre elas a loja que estou tentando desbloquear meu celular.

Bom, chegada a hora de ir embora chamamos José (o taxista que vocês já conhecem por foto) e na ida pra casa pegamos uma coisa que não estamos acostumados a pegar em São Paulo em feriado que é adivinha só ... oh, oh, trânsito. Dá pra acreditar que pegamos trânsito pra ir pra casa?! O bom do trânsito é que tinhamos mais tempo para ficarmos alugando o José na ida (corrigindo não era pra casa e sim para um restaurante a beira do mar onde iríamos encontrar todos do trabalho para almoçar). No caminho vimos algo que nos intrigou ... dois guardas andando na rua de mãos dadas, na verdade ja tinhamos visto antes dois homens andando de mãos dadas na rua e imaginamos que fossem gays, então nem demos tanta atenção, mas ver dois guardas fardados de mãos dadas não dava pra deixar passar, então perguntamos pra Jose (taxista):
- "Oh Jose, os caras aqui andam de mão dadas Jose que que isso".
Ai Jose responde:
- "EEEEhh Norrrmaaaallllll, aqui isso é normal"
Ai não deu outra, começamos a questionar tal comportamento maputense
- "Que isso José, vc também anda de mão dada com um homem"
José começou a dar risada, tipo meio sem graça e disse
- "Não, eu não tenho amigo íntimo"
Nisso, olhamos um pra cara do outro, e começamos a dar risadas e falamos pro José
- "Oh José esse negócio de amigo íntimo, de mão dada, no Brasil tem outro nome, isso no Brasil não dá certo não".
Então José num minuto de reflexão disse:
- "Hoje mesmo vou começar a negar a mão".
Oh nois mudando a cultura do país!!!

Outra coisa muito curiosa que existe aqui é o dia do HOMEM e esse dia é toda sexta-feira, ou seja, toda sexta-feira o homem pode sair de casa, fazer o que quiser na rua e chegar a hora que bem pretender em casa, e a mulher não pode falar nada, nem se quer perguntar se passou bem a noite. Aqui existe também a poligamia mas não conhecemos ninguem ainda que seja poligâmico.
Bom, finalmente chegamos ao restaurante, e logo que descemos do taxi um pedinte chegou falando em inglês que queria uma moeda para comprar cigarro, depois que viu que não entendemos (pelo menos eu) ele disse em português:
- "Uma moeda, pra comprar cigarro".
Claro que não demos.
No restaurante não aconteceu nada de curioso, mas conversamos bastante com o pessoal que já está aqui a mais de um ano sobre vistos, doenças, dentre outras coisas, o pessoal daqui são todos (agora já constatado) ótimas pessoas.
Na hora de ir embora Zé Ricardo decidiu ir até a casa do outro grupo que veio pra cá 10 dias antes que nós pra conhecer, pois só ontem eles acharam uma casa para morar, já eu, Leo e Cynthia decidimos ir pra casa já que moramos duas ruas pra cima do restaurante, ou seja, (reparem) moramos a duas ruas da beira da praia (EXCELENTE!!!!).

Almoço de sexta-feira santa


Chegando em casa, me troquei, pois ainda quis ir à padaria que leva uns vinte minutos a pé, então fui, e no caminho fiquei olhando pros artesanatos, ow os caras manjam muito, se você não se controlar gasta tudo com isso, mas ainda não comprei nada. Numa dessas olhadas fui abordado por três vendedores dos quais um ficou tentando me convencer a comprar sua mercadoria (um tapetinho) enquanto eu andava, ele então disse:
- "Senhor não queres, faço um preço legal pro senhor".
Eu disse:
- "Não, hoje estou só olhando, amanha passarei aqui e compro."
Ele disse:
- "Mas hoje o preço ta bom, hoje você vai pagar 30 mil"
Eu disse:
- "E amanhã? Quanto vou pagar?"
Ele disse:
- "Amanha é 50 mil"
Eu disse:
- "Então amanhã eu nem venho, se for pra pagar cinquenta tô fora"
Ele disse:
- "Ta bom, amanhã você me procura que eu te vendo 2 tapetinhos por 25"
Ou seja, cada um por 12 mil e 500.
O nome do vendedor é Américo, sinceramente não sei se vou fazer bom negocio, os caras aqui sempre tentam enrolar a gente.

Na volta pra casa tentei voltar pelo outro lado da calçada, não por causa dos vendedores, mas para poder ver tudo. Mas reparem que só tentei, pois dada uma certa altura da rua, ao passar por um muro branco que ainda não sei o que é, dois guardas do exército começaram a me chamar, porém a principio não dei bola pois não tinha certeza se era comigo ou não. Os caras então foram atrás de mim e falaram que eu não podia andar daquele lado da calçada, me disseram que eu tinha que atravessar a rua, mas foi tudo na boa, peguei e atravessei a rua sem problemas.
Já em casa, contei ao pessoal a novidade da calçada, logo depois fomos jantar na casa do Mauro que trabalha com a gente e que é nosso vizinho, no domingo ele vai fazer um churrasco beneficente na qual terá aproximadamente 40 brasileiros, estamos todos esperando pra ver o que vai dar nesse churrasco.

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