21 March 2006

Retrospectiva de 1 Ano



Bem somos os filhos de maputo, mas eu sou a única a escrever nesse blog. Hoje completamos 1 ano de Moçambique e a incubência de escrever o texto da retrospectiva foi de Rodolfo. Abaixo segue a retrospectiva feita pelo mesmo e meus comentário estarão em vermelho.

Texto escrito por Rodolfo:

Pois é, ja se passaram 365 dias de Moçambique, esse pais que nos acolheu a um ano atrás e que nos apresentou situações novas para lidarmos, situações essas que foram desde alegrias, tristezas, raiva, saudades, medo, decepção e também amor já que muitos que aqui estão, encontraram seu par perfeito. Bem, muitas destas coisas foram presenciadas por vocês, pois neste 365 dias de Maputo a Cynthia procurou deixar todos muito bem atualizados sobre tudo, mas vamos agora fazer uma retrospectiva deste 1 ano de Maputo - Africa.

Chegamos no aeroporto de Johannesburg eu (Rodolfo), Cynthia, Léo, Mônica, Juliano, e a Luci. Lá ficamos esperando umas duas horas para pegar o avião pra Maputo. Chegando em Maputo a primeira situação de decepção foi que a bagagem da Luci não veio ("Isso depois se tornou algo normal quando retornamos a Maputo. A minha tanbém não chegou quando voltei do Brasil após as férias"). Quem nos recebeu foi Zé Ricardo (Bahia) que já estava aqui a dez dias, e junto com ele estava o Adriano, a primeira impressao foi ... bom pra mim normal já que passei a minha infância na periferia de São Paulo, e isto aqui bem que parecia uma grande periferia, mas isso foi só na região próxima ao aeroporto de Maputo. ("Pra mim também não vi nada de estranho. Pra quem morou no interior do Nordeste do Brasil, as coisas por aqui são bem parecidas com a pobreza de lá. Só muda lugar e raça.") Depois vimos que tem bairros bons aqui também, como por exemplo o Polana e a Sommerschield. Do aeroporto fomos para o Hotel VIP.
Passado algum tempo, fomos orientados a comprar um celular para quem não tinha, e para quem tinha comprar chips da VODACOM uma das duas operadoras existente aqui, porem deveríamos desbloquear nossos celulares.

Primeira Aventura em Moçambique: Fomos entao na loja da Vodacom e lá mostrei o celular que tinha que ser desbloqueado, era um Motorola V330 e o pessoal da loja disse que não tinha como desbloquear o celular. Fiquei decepcionado e saí da loja, quando um Moçambicano (mano) saiu correndo atrás da gente (eu e Leo) e disse que se nós quisessemos, ele podería desbloquear o celular. Pe perguntamos onde e ele falou que era alí perto. Então pedimos pra ele nos levar lá. Ele então disse que teríamos que ir de taxi pois a pé era longe. Eu olhei pro Leo que olhou pra mim e pensamos, essa vai pro Blog, nisso o cara parou um taxi e nos chamou pra entrar. O Bahia que estava longe viu aquela cena, e já imaginou ... olha os caras entrando em confusão... não posso deixar eles sozinhos um minuto. E gritou lá de longe "Ei, o que esta acontecendo ai, onde vcs vão?", falamos.. "Calma, ele vai nos levar pra desbloquear o celular", só não sabiamos onde...
Passado esse capitulo do celular e vivo com os celulares desbloqueados fomos procurar casa pra morar, afinal não poderíamos viver em Hotel, até por que viemos pra cah apenas com USD500,00 cada um, e dentre todas as opções ficamos com o Indy Village.

Indy Village: Uma casa com três quartos sendo duas suites, sala, cozinha, banheiro (que era o meu), poxa lá era legal. O Indy é como um condomínio fechado de casinhas iguais. O pessoal do próprio Indy era quem limpava a casa, mas ainda faltava alguem pra cozinhar. No inicio éramos nós mesmo ... arroz, feijão e ... omelete claro. Então começamos a fazer as entrevistas, e contratamos a Lina que disse que estudava pois o sonho dela era ser Deputada. Mal sabe ela que pra isso só precisa saber malandragem mas tudo bem ... ela um dia aprende. Bom.. agora está tudo normal, temos casa, empregada pra limpar, empregada pra cozinhar... Opa! precisamos comprar comida.

Mercado Municipal: O Mercado municipal é onde compramos de tudo, desde frutas e legumes até creme de leite, mas para negociar com os moçambicanos, sendo mulungo é dificil ... a não ser que você fale um pouco de changana e isso aprendemos ("Eu não aprendi é nada! Hehehehe!"), não na sua totalidade, mas o essencial para sermos vistos como nativos e não como gringos. Por falar nisso tem uma estória engraçada lá do mercado que é a do açougueiro. O cara é um português estúpido até a alma, nossa senhora, ô bichinho ignorante, vou te falar por que. Oh que nós estamos chegando no açougue do dito cujo e perguntamos se ele tinha alcatra, o mesmo responde:
- "Sim"
Olhamos um pro outro e falamos que bom, acabaram-se os dias de comer soh ovo, olhamos pro açougeiro e falamos.
- Será que a gente podería ver a alcatra. (Hábito de todo brasileiro, pra constatar a qualidade da carne)
O Portuga responde.
- "Por quê! Vocês não sabem o que é um alcatra não?"
Depois dessa só entrou frango em casa e não comemos carne a não ser nos churrascos que íamos.
Bom voltando a historia de termos tudo em ordem, na verdade ainda falta uma coisa ... o carro.

O Carro: Decidimos alugar um carro, na verdade era uma VAN rs rs rs, na medida para os 5 filhos de Maputo.
E assim começamos nossa rotina, da casa pro serviço, do serviço pra casa... e vimos que tínhamos tempo de sobra pra fazer outras coisas, o que nem sempre acontecia em São Paulo. Então decidimos entrar na academia, eu, Zé e Cynthia. Léo, nessa época, estava economizando até o dinheiro do pão pra poder juntar logo o que queria pra poder comprar sua casinha (Ele realmente era o mais disciplinado). Bom, fomos nos matricular na academia, um lugar bacana com esteiras dando vistas pro Mar e um sol lindo que raiava de manhazinha enquanto corríamos nela.
Depois dai a vida deu uma estabilizada, o que começou a ficar chato, pois agora era casa, trabalho, casa, academia e casa. Então resolvemos agitar as festas rs rs rs.

Festas: Vocês lembra do Adriano do inicio da história? Pois então, ele morava com mais 4 caras numa casa gigante, casa essa que foi palco de várias festas dentre elas a Junina que reuniu o pessoal em massa e todos a carater, pois iríamos fazer quadrilha. E como ía ter quadrilha, então não podia faltar bolo de milho, milho verde, amendoim, canjica, arroz doce, bandeirinhas e tudo mais que uma festa junina de verdade tinha que ter. Nessa casa várias festas foram feitas, tudo era motivo de festa.

Nelspruit: Depois disso fomos conhecer Nelspruit pois sinceramente, estávamos sentindo falta de cidade grande, falo isso por que Maputo lembra mais uma cidade litorânea o que não é a mesma coisa de uma cidade grande. Mas enfim, fomos pra Nelspruit! Sentimos a diferença já na estrada quando cruzamos a fronteira. Poxa, parecia primeiro mundo! Na verdade uma cidade ajeitada de terceiro mundo, não tem nada de espetacular lá. Já voltando pra Moçambique, faltava conhecer um lugar que todos daqui costumavam ir, mas que nunca havíamos ido que era o Coconuts. Lógico que o Léo não foi até comprar a casa dele, mas ele conseguiu gracas a DEUS.

Coconuts: Bom o Coconuts é legal e as vezes acontece algumas coisas bizarras lá, como por exemplo, uma doida bibaca subir no palco e comecar a tirar a roupa, mas nada que os segurancas não dessem jeito. ("Graças a Deus não presenciei essa cena bizarra!! Arghh!! Só fui lá uma vez pra assistir um show de uma banda Cover do U" que foi bem legal!") Bom voltando as festas, a cada festas que íamos conheciamos mais gente, desde moçambicanos até brasileiros que já estavam aqui a muito tempo. Dentre eles o Rubinho que acho que é o cara que mais conheçe gente aqui.
Mas aqui não foi só festa não.... lembrem-se que viemos aqui pra trabalhar e não pra brincar, e iniciamos nossas atividade um mês depois que chegamos, e já começamos com a corda toda, pois viramos várias noites e fins de semana, mas nada traumatico! E outra, quando estávamos estressados, esperávamos o final de semana livre para pegar uma piscina em casa. Lá no Indy, não posso deixar de falar umas das coisas que aconteceu lá que foi o roubo de nossas roupas que estavam no varal.

O Roubo do Varal: Acordamos um dia, fomos trabalhar e quando chegamos havia um comunicado da administração do condomínio dizendo que o condomínio havia sido assaltado e que os assaltantes haviam levado várias roupas de varais que se encontravam fora das casas e algumas mesas e cadeira. Com isso, fomos fazer um levantamento do que os caras tinham nos levados. Meu, na verdade foi só uma camiseta de polo, a Cynthia ("Me lasquei nessa!!") foi a maior prejudicada.. TADINHA... bom acabou que o condominio nos pagou 50% dos valores roubados, ou seja, fomos roubados duas vezes (ninguém merece!!)
Bom para compensar o susto, nada melhor do que dar uma viajada para espantar o mal olhado, mas nessa viagem eu não fui. Na verdade quem foi, foi o Bahia e a Cynthia e eles foram para o Kruger Park.

Kruger Park: "Poxa, umas das melhores coisas a se fazer na vizinha África do Sul. É muito massa ver todos aqueles bichos soltos e nós alí sempre tentando achar um leão, apesar de não termos tido muito sucesso nas últimas vezes que fomos lá. A cada ida é uma aventura diferente e eu ainda não consegui enjoar de ir lá!! Ainda quero ir mais algumas vezes."

Voltando a rotina normal, o tempo foi passando e neste tempo algumas pessoas das quais conheçemos aqui, foram voltando pra casa, voltaram a nossa pátria amada.

Despedidas: Neste 365 dias conheçemos muita gente, mas muita gente mesmo, e desse pessoal nos despedimos do:
Léo e Fabiana
João Dell Valle
Ana Cristina
Ângelo, Georgia e Gabriel
Rafaela
Humberto
O alemão que não lembro o nome, mas que vendeu o carro pro Bahia
Juliano e Mônica
Luci
Enfim pessoas das quais nunca vamos esquecer, e que estimamos muito por tudo que fizeram aqui e dos amigos que foram

Como o tempo estava passando começamos a nos preocupar com nossos próprios destinos, já que com a saída do Léo, já não iríamos mais morar juntos e tinhamos que nos separar.

Separação: Em Novembro nos separamos, Eu aluguei um apartamento e a Cynthia e o Bahia alugaram outro. No meu ficou Eu, o Léo e a Fabiana pois eles iríam para o Brasil só em Fevereiro (eles me deram a honrar de ficar comigo :)). Mas eu não morei só com eles não, moro tambem com minha namorada Ana, que me foi apresentada nada mais nada menos que pelo Rubinho, o cara que conheçe todo mundo.

As namoradas(os): Isso com certeza tinha que ser um tópico a parte, pois é incrivel como todos aqui encontra sua cara metade, vamos lá fazer um rastreamento das pessoas que encontraram sua cara metade aqui.

Luci - Achou um holandes e hj mora com ele em sarajevo se não me engano
Rodolfo (Eu) - Ana
Adriano - Rita
Nilton - Ariadna
Cameron - xxxxx
Walter - Patrícia
Fernando - Floriza
Lissane - Juninho
Enfim, acho que a minoria não se amarrou a alguém aqui.

"Resumo: Como Rodolfo já falou, apesar de todos os problemas, dificuldades e raiva que passamos por aqui nesse 1 ano de Maputo, acho que valeu a pena pelos novos amigos feitos, novos lugares e novas culturas conhecidas. Mas que bate uma saudade do Brasil ... como bate!!!!!"

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