03 May 2006

Uma Aventura em Bazaruto

Desde nossa volta de Durban já estávamos pensado no próximo feriado, e o destino desejado era o Arquipelago de Bazaruto.
Comecei a procurar na internet preços de hospedagem por lá e cada vez mais parecia que nossa viagem iría naufragar, pois pagar 200 dolares por pessoa por noite pra ficar em uma das ilhas não ía rolar mesmo (Essa era o valor mais baixo pra ficar em um dos hoteis na Ilha).
Nossa sorte foi que Cameron (que trabalha conosco) nos passou um contato de uma cara que tinha um barco e que arrumava uns lugares para dormirmos por menos da metade desse valor por casal. Essa era a nossa chance!!!

Começamos a fazer um levantamento dos interessados para então fecharmos com seu Rodrigues (o cara do barco) as reservas no lodge e o aluguel do barco para os passeios. Logo no início só 2 candidatos (Eu e Zé), que aumentou para 6, que aumentou para 11, que diminuir para 4 que aumentou para 6 novamente e que no final terminaram por ser 10. Pense num stress pra organizar hospedagem e barco para um número mutante de pessoas. Mas é que todo mundo é muito decidido!!!

Os Viajantes!!! Da esquerda para a direita ... Ricardo, Ariadna, Izabel, Adriano (no fundo), Eu (na frente), Cris, Felipe (boné), Rita (fundo), Enio (canto direito) e os dois marinheiros no fundo.
Going to Benguerra Island by Turtle Boat


Partimos na sexta-feira de Maputo num avião da Embraer que por sinal estava cheio de baratas (ai que nojo) e chegamos em Vilakulos no final da manhã onde seu Rodrigues já deveria estar nos esperando no aeroporto com o suposto "carro" para fazer o transfer até a praia onde pegaríamos o "barco".
Quando olhamos, nosso "transporte" era uma caminhoneta toda lascada onde teríamos que ir os 10 amontoados na carroceria. No meio do caminho o desligado Nilton notou que tinha deixado sua mochila no aeroporto de Maputo e que não tinha nem sequer uma muda de roupa pra usar nos 3 dias seguintes.
O jeito foi parar na feira de Vilakulos onde ele desceu com seu Rodrigues pra comprar "Biquini", "Camisola", Bermuda e Chinelo (Nilton, se sua mãe souber que você usa "Biquini" e "Camisola" vai ser uma decepção heim!! Ah sem contar que o chinelo era da parada gay de São Paulo!)
Após Nilton adquirir seu novo guarda-roupa fashion, continuamos o caminho até o barco. Pensávamos nós que iríamos pegar um "barco" que supostamente devería caber até 18 pessoas bem acomodadas (Pelo relato de Cameron). Hahahah ... nosso barco era praticamente uma jangadinha com vela feita de sacos de açucar costurados uns nos outros e que mal cabia nós 10 e nossas malas. Ah tinha o detalhe dos salva-vidas que não fariam fluturar nem uma criançinha, mas tirando isso tudo parecia estar tranquilo.
Logo quando saímos, seu Rodrigues nos informou que o barco levaría 1 hora e ½ para chegar na Ilha de Benguerra onde ficava o Gabriel's Logde, mas a previsão de 1 hora e ½, se concretizou em 2 horas e ½ de muita bunda doída de tanto ficarmos sentados em táboas que supostamente eram os bancos do barco. Ah, os coletes salva-vidas foram transformados em almofadas (para alguma coisa aquilo tinha que servir né!)
No caminho até Benguerra já podíamos ver as águas cristalinas mudando do azul escuro pro azul claro a cada momento, os vários bancos de areia no meio do mar que não dava pra entender como aquilo era possível. Paisagem lindas!!

Chegamos no Gabriel's Lodge na Ilha de Benguerra já perto do final da tarde e fomos guadar nossas coisas para podermos aproveitar o fim da tarde.
Cameron havia nos falado que o Gabriel's era simples mas era bom e que o problema de lá era a comida que era muito pouca (Ah ele falou que o barco de seu Rodrigues eral bom heim!!). Quando vimos nossas ocas ... ops, nossos quartos, o pessoal logo falou ... "Se isso aqui é bom já estou imaginando como a comida deve ser pouca ... na verdade não deve ter nem comida" (Cameron nos sacaneou!! Hahahaha! Acho que ele confundiu 1 de Abril com 1 de Maio)
Algumas coisas interessantes do lugar:
1. O gerador de energia só era ligado umas 6 da noite e desligado as 10/11
2. O meu quarto não tinha interruptor de luz (eu só podia dormir após a luz ser desligada)
3. O banheiro não tinha luz e no primeiro banho faltou água quando eu estava na metade
4. O mosquiteiro era todo furado e dava pra entrar um arrastão de mosquitos
5. Aranhas por todo o teto
Apesar de tudo isso, o pôr do sol que presenciamos naquela tarde já compensou tudo isso.

Depois de esperarmos séculos para nossa comida ficar pronta e comermos menos do que um prato francês, fomos jogar uma partidinha de baralho. Começando a pensar no dia seguinte, vimos que teríamos que decidir sobre o almoço. Ou iríamos comer a lá francesa novamente ou teríamos que arrumar uma outra solução pro nosso problema. O pessoal teve a idéia de ir no Benguerra Lodge a 1 km de distância e tentar reservar o almoço pro dia seguinte.
Quando estávamos nos preparando para irmos no Benguerra Lodge, eu comecei a escutar algumas coisas que estavam acontecendo nas ocas do resto do pessoal.
Alguns exemplos:
Cris grita para Ênio: "Maaataa Ênio Mataaa!!!!!"
Nilton fala para Ariadna: "Oh amor, você não pode comparar né! Lá era 200 dólares por pessoa"
Já deu pra notar que o final de semana ía ser bem divertido heim!!!
A luz do lodge iría apagar em pouco tempo, então pegamos uma lanterna e saímos pela praia em direção ao Benguerra Lodge. Com estava difícil de enxergar, no meio do caminho enfiamos várias vezes os pés dentro de uns buracões que os siris tinham feito na areia e encontramos umas coisas estranhas brilhantes na areia. Era algum ser vivo do tamanho de um grão de areia que emitia uma luz de um azul brilhante. Ariadna pisou em algum lugar que estava cheio daquilo e saiu andando com o pé piscando por algum tempo.
Quando chegamos no Benguerra Lodge ficamos babando com o lugar, mas também com 350 dolares por pessoa aquilo lá tinha que deixar qualquer um de boca aberta mesmo. Entramos e fomos nos informar sobre almoço e jantar pro dia seguinte, mas terminamos saindo de lá sem nada marcado, somente com o telefone para ligarmos no dia seguinte. Voltamos ao Grabriel"s mas já estava um breu só!! Só conseguimos achar nossas cabaninhas com a lanterna de Ênio.
Quando estávamos quase dormido Zé falou: "Cynthia, eu tô em dúvida! Não sei se durmo de olho aberto ou fechado!"
Acho que devíamos ter pego algumas daquelas coisas brilhantes pra levar pro nosso quarto.
Aquela noite foi horrível para mim pois acordei milhares de vezes durante a noite com "coisas" andando em cima da nossa oca e eu alí sem conseguir enxergar nem um palmo a frente do nariz. Mas não tinha jeito, o negócio era esperar amanhecer para deixarmos de ser cegos.

Na manhã seguinte, minha saboneteira estava toda melecada de cocô de alguma coisa, o sabonete de Cris tinha sido comido parcialmente por algum bicho e todos relatavam os visitantes noturnos que visitaram seus tetos durante a noite.
Tomamos nosso "Matabicho" (café da manhã) francês e pegamos nosso "Yacht" para o passeio do dia. A primeira parte do passeio era mergulhar nos arrecifes que ficam entre as Ilhas de Bazaruto e Benguerra. Puxa, foi muito massa!! Nunca ví tanto peixe diferente num só lugar ... nem em Fernando de Noronha!!
Aquela água totalmente cristalina e quentinha!! Delícia!!
O primeiro problema do dia acontecia ... as mulheres não conseguiam subir no barco e nas diversas tentativas eu e Rita terminamos cortando os pés.
Depois de sermos ajudadas pelo meninos, todos a bordo, partimos em direção as dunas de Bazaruto. Subimos uma duna bem grande e ficamos lá apreciando as diferentes tonalidades de água que dalí de cima era bem mais evidente. Passamos um tempão alí tomando banho e apreciando a beleza do lugar até que quando a fome bateu, todos decidiram voltar pro Gabriel's.
Almoçamos minimamente e ficamos alí pela praia aproveitando enquanto os meninos tinham ido no Benguerra Lodge tentar marcar o jantar já que nossos telefones não funcionavam. Quando voltaram, eles nos contaram do acontecido ... tinham sido literalmente "Barrados no Baile"!!! O cara do hotel falou que nós não poderíamos comer lá porque iríamos incomodar os hópedes!!
Poxa!! Que decepção heim!! Comer a comida do Gabriel's novamente ninguém merecia! Ariadna decidiu então reclamar da comida e do tratamento com o pessoal do logde e eles pediram desculpas e disseram que iríam tentar melhorar e que faríam para nós um jantar na beira do mar naquela noite.
Ficamos o resto da tarde na praia até que de repente os mosquitos começaram a atacar. E olha que eu estava com duas blusas e calça comprida mas tinha uma núvem de mosquitos ao meu redor. Os danados picam até por cima da roupa ... oh bichinho danado!! Fiquei tão desesperada pra não pegar malária que corri pro quarto e me enfiei debaixo do mosquiteiro furado até que a "hora do lanche" dos mosquitos acabasse.
A noite fomos pro nosso jantar na praia!!
Uau!! Pense numa reclamação boa a de Ariadna! Não é que o jantar veio decente naquela noite! Vou levar Ariadna lá em casa pra dar uma "conversada" com minha empregada!!
Na hora de dormir dei de cara com um rato "ao vivo e a cores" dentro do meu quarto. Dei um grito tão grande que o bicho saiu em diparada.
Aquela noite já foi melhor que a primeira, mas mesmo assim fiquei tão agoniada com aquela escuridão total que dormi com o celular do lado (pra usar a luz de vez em quando)

Na manhã seguinte saimos para a Ilha de Bazaruto, mais especificamente Indigo Bay, uma baia linda de águas completamente transparentes onde ficamos mergulhando por um bom tempo. Estavamos querendo almoçar em outro hotel que ficava por lá, mas depois do "barrados no baile" da noite passa, resolvemos levar uns sanduiches e refrigerantes por precaução. Quando estávamos fazendo a "baliza" para "estacionar" o barco para irmos almoçar, encontramos uma variedade imensa de estrelas do mar de todas as cores por todos os lados, cada uma mais linda que a outra e ficamos todos impressionados, pois ninguém nunca havia visto tantas estrelas de tantas cores (Tiramos algumas fotos e devolvemos todas ao mar).
Como a maré estava baixa e o barco não tinha como chegar muito perto da areia, tivemos que ir andando por pelo menos uns 300 metros até a praia. Nessa caminhada fomos atacados por siris e lagostas. Comédia!!! Hahahaha! A cada minuto alguém dava um grito ... era uma beliscada de siri. Ariadna foi a que teve mais azar, uma lagosta deu um beliscão tão grande que cortou o pé dela.
Chegamos na praia e fomos nos proteger do sol embaixo de uma árvore onde encontramos um vigilante do Hotel Indigo Bay chamado "Ricardo Lampião". Imagina a cara de alegria do Pernambucano Zé Ricardo, encontrar um xará ainda mais por cima chamado Lampião ... a alegria do menino estava completa.
Ariadna e Cris sairam pra tentar providenciar nosso almoço, mas foram "Barradas no Baile" antes de terem andado os primeiros 20 metros em direção ao hotel. Rapaz, acho que tem algo de estranho com essa nossa turma heim!! Porque será que ninguém nos deixa entrar pra comer?!!! Eu heim!! O jeito foi comer sanduiche que o pessoal do Gabriel's tinha feito para nós! A fome era tanta que os sandubas sumiram em segundos.
Terminado o rango, fomos para uma outra praia onde terminamos de passar o restinho da tarde antes de voltarmos pro lodge.

Aquela noite no lodge fizemos um super banquete, onde as meninas (Cris e Ariadna) e os meninos (Nilton e Zé) comandaram a cozinha e a fogueira do peixe. Hummm, tava tudo tão bom!! Aquela era então nossa última noite na Ilha, pois no dia seguinte teríamos que voltar pra Maputo.
Pra vocês verem como tudo é uma questão de costume, aquela última noite eu dormi feito uma pedra e não sei nem se os ratos apareceram para nos visitar. Acordamos no dia seguinte com o som das ondas batendo a menos de 10 metros do nosso quarto.
Infelizmente tínhamos que ir embora daquele lugar lindo, mas estávamos voltando muito satisfeitos com o passeio.
Mas calma que a emoção ainda não acabou não ...
Quando fomos pegar o barco estávamos preocupados em não nos molharmos, pois teríamos que pegar um vôo nas próximas horas. Pegamos o barco e partimos para Vilankulos, só que o mar estava tão agitado que seco é que nenhum de nós ficou. A cada onda pela qual passávamos era um banho que tomávamos. Chegamos em Vilankulos pior do que pinto molhado e cheios de sal pelo rosto e corpo. Tivemos que nos lavar e trocar de roupa la no "escritório" do seu Rodrigues, onde aquela mesma caminhoneta estava nos esperando para nos levar ao aeroporto.
Nossa viagem ainda teve mais uma emoção ... quando estávamos chegando em Maputo, estava chovendo tanto que o nosso avião balançava feito um centrífuga. Eu nunca tinha pego uma turbulência tão grande e pensei sinceramente que aquele troço ía cair!! Mas depois de muitoooo medo, o avião pousou e chegamos salvos em terra firme.

Chegamos em Maputo com gostinho de "Quero Mais", pois um lugar daqueles deixa saudades em qualquer um!!
Nota 10 pra Bazaruto e Benguerra, duas lindas ilhas no litoral do Moçambique!!!

CLIQUE AQUI PARA VER AS FOTOS NA ÍNTEGRA


The Team - Embraer airplaneBoat - Benguerra Island
RicardoBoat Sunset - Benguerra Island
Natives - Benguerra IslandGabriel's Lodge - Benguerra Island
Sunset - Benguerra IslandSunset - Benguerra Island
Boat at Benguerra IslandRicardo - Bazaruto Reefs
Kid - Benguerra IslandCynthiaFlower - Benguerra Island
Bazaruto IslandCynthia - Bazaruto Island
Ricardo - Bazaruto IslandBazaruto Island
Sunset - Benguerra IslandSunset - Benguerra Island
Indigo Bay - Bazaruto IslandIndigo Bay - Bazaruto IslandRicardo and the sea star
Indigo Bay - Bazaruto IslandIndigo Bay - Bazaruto Island
Wonderful Sea StarWonderful Sea Star
Wonderful Sea StarWonderful Sea Star
Niltinho and his skillsKids eating MassalaBenguerra Island
Indigo Bay - Bazaruto IslandCynthia - Indigo Bay - Bazaruto Island
Sunset at Benguerra IslandRicardo - Bazaruto Island

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